S11d

The remains of a house that was purchased and dismantled by Vale – the world’s second-largest mining company – in the Racha Placa community, May 30, 2012. 
Racha Placa is in the path of the ongoing expansion of the Carajas Railroad, which Vale plans to connect to its projected iron ore mine S11d to a port and export the mineral. Vale’s license to operate S1d has been held up by the government, but even without the license, the company is already investing some $11.5 billion in building the port and expanding the railroad line. Residents of the Racha Placa reported being pushed to sell their homes by what they consider an unfair price and leave their community.

Resident Genuir Foscarini, 57, sits with his nephew in front of his shop, where he claims sales have dropped by 90 percent in the past two years as other residents have left after selling their property to Companhia Vale do Rio Doce, the world’s second-largest mining company, in Racha Placa May 30, 2012. Racha Placa is in the path of the ongoing expansion of the Carajas Railroad, which Vale plans to connect its projected iron ore mine S11d to a port and export the mineral. REUTERS / Lunae Parracho

O lugar que “não existe mais”

Moradores da comunidade de Racha Placa, localizada na área rural do município de Canaã dos Carajás (PA),  relatam estar sendo assediados pela Vale há mais de dois anos para deixar o local. A vila fica próxima de onde a companhia pretende construir a ampliação da ferrovia Carajás, com o intuito de escoar a produção de ferro do projeto S11d, que ainda não foi licenciado pelo Ibama.

Moradores relatam abusos por parte dos funcionários terceirizados a serviço da Vale, que estariam usando estratégias de intimidação, dizendo aos comunitários que a Vale vai jogar poeira em cima deles e que homens virão estuprar suas filhas. A maior parte dos moradores trabalhavam para os fazendeiros e, com a compra pela Vale das fazendas ao redor do Racha Placa, ficaram sitiados e sem trabalho.

Falta infraestrutura no local. Os telefones públicos não recebem manutenção há mais de um ano, o Ensino Médio da escola local foi extinto, a ambulância do posto de saúde retirada e a estrada de terra que dá acesso à vila não recebe manutenção da prefeitura há mais de um ano, conforme relatam os moradores. Quando vão solicitar algo à prefeitura de Canaã, moradores relatam ouvir frequentemente dos servidores municipais que “o Racha Placa não existe mais”.

Dezenas de famílias já venderam seus lotes e casas, a preço bem abaixo do mercado, mas 55 famílias resistem. Vendo que não seria possível permanecer no local, elas negociaram com a Vale um pedaço de terra de cinco alqueires para cada família. A negociação já dura mais de um ano e até hoje não receberam as terras prometidas.

Em isolamento e sem trabalho, as famílias obtiveram no ano passado o compromisso da Vale de pagar um salário mínimo a cada uma até que receberssem a terra, mas os valores estavam sendo pagos trimestralmente. E agora, de seis em seis meses. Há relatos de famílias que receberam apenas dois salários em 8 meses.

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A reserva de floresta amazônica de Carajás, já abriga em seu interior três projetos de mineração da Vale (ferro, manganês e granito) . Com capacidade de produção de 90 toneladas de ferro ao ano, o S11d vai praticamente duplicar a extração de ferro da empresa na região, suprimindo também 1000 hectares de uma área de savana metalofila dentro da floresta, que, segundo a agência governamental ICMBio, abriga pelo menos 21 espécies endêmicas de aves, 5 espécies de mamíferos na lista de espécies ameçadas de extinção e pelo menos dez espécies endêmicas de flora, além de mais de 100 cavernas onde foram encontrados resquícios arqueológicos do homem amazônico pré histórico. O projeto ainda não foi licenciado pelo IBAMA, mas a Vale já adquiriu terras no entorno da floresta e iniciou há meses obras de infra-estrutura para a expansão da ferrovia carajás, que vai escoar a produção da S11d. Apesar de não ter obtido licença para a nova mina de ferro, a empresa obteve esta semana uma licença prévia para a expansão dos trilhos da ferrovia que, segundo analistas, não é economicamente viável se desconectada do projeto de mineração S11d. 

Men work on the expansion of the Carajas Railroad to connect the region of the projected S11d iron ore mine, proposed by Companhia Vale do Rio Doce, to a seaport, in Canaa dos Carajas May 30, 2012. REUTERS / Lunae Parracho

An overview of the Carajas National Forest in the Amazon Basin, where Brazil’s Companhia Vale do Rio Doce operates the world’s largest iron ore mine Ferro Carajas, and is awaiting a preliminary environmental license to start an even larger one, named S11d, in the Serra Sul, Para State, May 29, 2012. Vale is already investing some $11.5 billion in building a port and expanding the railroad line to the region around Serra Sul, as it awaits the license which has been held up by the government after archeologically and environmentally sensitive caves were found at the site. REUTERS / Lunae Parracho

An overview of Ferro Carajas mine, the world’s largest iron ore mine, operated by Brazil’s Companhia Vale do Rio Doce, in the Carajas National Forest in Parauapebas, Para State, May 29, 2012. The Ferro Carajas produces some 110 million tonnes of ore yearly, transported nearly 900 km (559 miles) to the Madeira seaport terminal by Vale’s Carajas Railroad, which according to the company, operates the world’s longest train, comprised of four locomotives and 330 cars. REUTERS / Lunae Parracho

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